TOP
35a54ca5-bb8d-4c64-9a3b-13ffa889f195
cultura Museus e Exposições Sem categoria Variedades viajandocomarte

Mulheres na História da Arte

Neste texto vamos falar das mulheres  na história das artes  onde apesar da dificuldade de protagonismo , encontramos figuras proeminentes que conseguiram se destacar e marcar época .

Primeiramente elas aparecem mais como modelos de pinturas, desenhos, esculturas, do que propriamente autoras desta história.

Existem muitos estudos que apontam a ausência de artistas mulheres ao longo da História da Arte – por ela ser contada pelos cronistas masculinos que elegem o que deve ser contado numa ótica discriminatória. Mas mais do que isto , o acesso aos materiais, o olhar reprovador das famílias e a falta de condições de desenvolverem seus talentos  foi um grande empecilho. 

Em todas as sociedades, há sempre algo de idealização na figura da mulher, como um arquétipo. Muitas vezes, conforme a imaginação masculina, com a qual também tem sido construída a autoimagem feminina. Quando pintavam, as mulheres poucas vezes tinham como retratar modelos que não fossem familiares, naturezas mortas ou cenas de gênero. Seu acesso a cenas históricas era vetado por princípio e os modelos nus um completo tabu.

Estudando os movimentos artísticos da pré-história à contemporaneidade, podemos compreender as transformações da figura feminina tão ricamente reveladas pela arte em períodos diversos da história e também o seu protagonismo em contar sua própria história. A arte possui um papel significativo, no sentido em que mostra enquanto expressão, movimentos históricos e mudanças sociais. Acaba sendo a versão da história contada não só pela ótica do vencedor.

Sofonisba Anguissola

A pintora renascentista italiana foi a primeira mulher que se tem notícia a conquistar fama internacional. Muito admirada pelos seus contemporâneos, Sofonisba Anguissola (1532-1625) chegou a ser elogiada por Michelângelo. Ela abriu caminho para outras mulheres do seu tempo que começaram a ser aceitas nas escolas de arte graças ao seu trabalho precursor. Mas destas se tem muito poucos registros, comprovando que não se pode negar a força dos cronistas em apagar esta presença.

A temática das telas da pintora renascentista costumava girar em torno das tarefas domésticas, dos retratos de família e das situações cotidianas. Encontramos também muitos autorretratos, registros do lar e uma série de representações da Virgem Maria e outras cenas religiosas.

6c18e-15552bchess_game_sofonisba_anguissolamuseum_navrodwe_poznan_poland

Artemisia Gentileschi

A pintora italiana foi uma das únicas mulheres a serem mencionadas no ramo da pintura artística do Barroco, sendo a primeira a possuir uma posição privilegiada. Evitando produzir obras de naturezas mortas e flores, comuns naquela época, dedicou-se a temas trágicos em que suas personagens representam papéis de heroínas. Destacou-se por ser a primeira mulher aceita na Academia de Belas Artes de Florença, na Itália, a mesma pela qual passou Michelangelo.

Uma mulher corajosa e de vanguarda, Artemisia Gentileschi teve uma história de vida triste: aos 17 anos, ela foi estuprada pelo pintor Agostino Tassi, amigo do seu pai.

“Trancou o quarto a chave e depois me jogou sobre a cama, imobilizando-me com uma mão sobre meu peito e colocando um dos joelhos entre minhas coxas para que não pudesse fechá-las. E levantou minhas roupas, algo que lhe deu muito trabalho. Pôs um pano em minha boca para que não gritasse. Eu arranhei seu rosto e arranquei seus cabelos.”

Esse é o relato de um estupro ocorrido há quatro séculos, mais especificamente no ano de 1611.

 Artemisia ficou famosa por retratar mulheres fortes, muitas vezes sedutoras e nuas. Foram seus mecenas o rei Filipe IV da Espanha, a família Médici e o grão-duque da Toscana.

artemisia-gentileschi-autorretrato-alegoria-da-pintura-767x1024

Mary Cassat

Mary Cassatt foi uma pintora americana e uma veemente defensora dos direitos das mulheres. Embora seu trabalho não fizesse nenhuma declaração política explícita, sempre havia uma insinuação de uma vida íntima mais profunda em seus temas predominantemente femininos. Mary enfrentou seu pai para poder se dedicar à arte, e aos 15 anos se matriculou na Pennsylvania Academy of the Fine Arts, na Filadélfia, para se tornar uma pintora profissional, numa época em que apenas aproximadamente 20% de todos os estudantes de artes eram mulheres. Impaciente com a lentidão de suas aulas e com o paternalismo de seus colegas e professores homens, Mary decidiu estudar os Antigos Mestres por conta própria.

Nascida na Pensilvânia em 1848, Mary passou boa parte da vida adulta na França, tendo sido grande amiga de Edgar Degas e exposto seus trabalhos junto a outros grandes nomes da pintura impressionista.

Seus trabalhos costumam retratar a vida privada e social de mulheres, com ênfase nos momentos íntimos de mães e seus filhos. Foi descrita por Gustave Geffroy, em 1894, como uma das “les trois grandes dames” (três grandes damas) do impressionismo, junto de Marie Bracquemond e Berthe Morisot.

A23311.jpg

Berthe Morisot

“Eu creio que jamais tenha havido um homem que tratasse uma mulher de igual pra igual, e isso é tudo o que eu teria pedido, pois eu sei que o valho.” A frase em destaque acima é de Berthe Morisot, pintora que viveu entre o grupo Impressionista e era reconhecida pelo seu talento. Junto com Mary Cassat eram as duas únicas mulheres entre os impressionistas, presente em praticamente todas as suas exposições, Morisot foi artista de enorme talento, admirada e reconhecida por seus pares, como Monet, Renoir e Degas, seus amigos mais próximos. 

Berthe parece pouco disposta a ceder às pressões familiares e sociais. Ao contrário de sua irmã, que renuncia ao seu dom artístico após o casamento, Berthe permanece solteira. E artista. A pintura ocupa o primeiro lugar de suas preocupações. Muito cortejada, ela recusa sucessivas propostas, apesar da grande pressão familiar para que ela fizesse “um bom casamento”. Nada o faria abdicar do que parecia ser a sua verdadeira paixão: a arte.

Finalmente, aos 33 anos de idade, Morisot aceita a proposta de casamento de Eugène Manet, irmão do já conhecido artista Edouard manet. A vida conjugal, no entanto, não a impediria de seguir o seu rumo: subvertendo os papéis do homem e da mulher, na família Manet é Morisot que trabalha, que mantém uma vida pública. Manet permanece nas sombras. E se transforma num dos modelos preferidos do pincel da artista. Em Morisot, a musa inspiradora é, por muitas vezes, Eugène Manet.

berthe-morisot-2-e1563359316337 (1)

Frida Kahlo

Os autorretratos são característicos da obra da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) e foram pintados ao longo de toda a sua carreira. Suas obras ficaram famosas no mundo inteiro por recuperarem uma arte colorida, rica, extremamente local e ao mesmo tempo universal. 

A mais conhecida das artistas do inicio do século XX é um ícone da arte mexicana e mundial.

self-portrait-with-necklace-of-thorns-1940.jpg!Portrait

Lenora Carrington

Leonora Carrington (1917-2011) foi uma importante pintora mexicana surrealista que desenvolveu a sua carreira artística na Inglaterra. Seu trabalho se construiu quase sempre debruçado em um universo onírico, abstrato e figurativo.

Esta grande artista naturalizada mexicana desenvolveu um trabalho muito particular que muitos classificam como surrealista, mas com características únicas e muito especiais. Nascida na cidade de Lancashire, na Inglaterra, Leonora viveu quase toda sua vida adulta na Cidade do México e se destacou por seu estilo pessoal e chamativo.

No ano de 1937 conheceu o então famoso artista alemão Max Ernst, uma referência do estilo surrealista, da qual atribuiu em seus primeiros trabalhos. O vínculo com Max seria muito forte e o artista deixaria sua primeira esposa para ficar com Leonora por anos. Eles moraram juntos em Paris, onde realizaram vários trabalhos artísticos e Leonora definiria ainda mais seu estilo surrealista, inspirado em animais fantásticos e mitológicos.

A relação entre ambos não chegou a um final feliz devido ao cenário internacional e a Segunda Guerra Mundial. Foram forçados a separar-se após um pedido de prisão a Max por sua origem alemã. O artista voaria para a América do Norte em busca de proteção, mas deixaria Leonora sozinha. Foi aí que conheceu sua nova parceira, a famosa colecionadora de arte Peggy Guggenheim. A solidão e o abandono significaram uma grande crise emocional para Leonora, que ficaria sozinha em Madri. Mais tarde viajaria para Lisboa e finalmente para o México, onde passaria o resto de sua vida.

388339-cke

Georgia O´Keeffe

Nasceu em 15 de novembro de 1887, cresceu em uma fazenda em Sun Prairie, Wisconsin – Estados Unidos junto com seus sete irmãos, sendo a segunda entre eles.Na infância estudou em casa e suas habilidades foram reconhecidas e encorajadas por professores que teve na época escolar.

Na tentativa de descobrir uma linguagem pessoal através de que ela pudesse expressar seus próprios sentimentos e ideias, ela começou uma série de desenhos abstratos a carvão, que foram reconhecidos como os mais inovadores da arte americana da época.

O’Keeffe enviou alguns desenhos a um colega da Columbia, que os mostrou para um fotografo internacionalmente conhecido e empresário das artes, Alfred Stieglitz, isso em  1916.

Logo depois de sua chegada em Nova York, O’Keeffe e Stieglitz, que se casaram em 1924, se apaixonaram e consequentemente, moraram e trabalharam juntos naquela cidade e na casa da família Stieglitz, em Lake George até 1929, quando O’Keeffe passou o primeiro de muitos verões pintando no Novo México.

Georgia é considerada uma das pintoras norte americanas de maior sucesso do século XX.

Três anos após a morte de Stieglitz, O’Keeffe mudou para Novo México, onde as deslumbrantes vistas e paisagens tinham inspirado seu trabalho desde 1929.

e90f338a4f7c0c9f16287c9398aeb8e7

 

Anita Malfatti

Pintada entre 1915 e 1916, a tela A Boba faz parte do acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP, São Paulo. Trata-se de um óleo sobre tela importante para o Modernismo Brasileiro, embora faça referências em termos de estilo ao Cubismo.

Em meados de 1916, Anita havia retornado de seus estudos na Alemanha e nos Estados Unidos. Com a cabeça cheia de ideias, ela colocou os pés em uma São Paulo conservadora, que claramente ainda não estava pronta para o modernismo.

Buscando apresentar a arte nova para sua cidade , Anita fez uma exposição que ficou marcada pela querela com Monteiro Lobato. O autor visitou a exposição de Anita e, pouco tempo mais tarde, publicou uma crítica no Estadão. Em 20 de dezembro de 1917, então, o público ficou sabendo sobre a opinião de Monteiro em relação aos quadros de Anita.

De tão rígida, a nota publicada fez com que cinco das oito obras modernistas da artista compradas na exposição fossem devolvidas. Nas folhas de jornal, Monteiro não economizou palavras para reconhecer que, apesar do “talento vigoroso” e “fora do comum” de Anita, a pintura, na verdade, produzia uma “arte anormal”. Palavras como “paranóia” e “mistificação” também caracterizavam os quadros.

Embora tenha participado da Semana de Arte Moderna de 1922 — um dos episódios mais polêmicos no cenário artístico de São Paulo —, Anita mudou um pouco suas técnicas após a crítica de Monteiro.

2012-10-10-21-16-561

Tarsila do Amaral

Nasceu em Sao Paulo em 1886. Em 1920, foi estudar em Paris, na Académie Julien. Ficou lá até junho de 1922 quando soube da Semana de Arte Moderna (que aconteceu em fevereiro de 1922) através das cartas da amiga Anita Malfatti.

Quando voltou ao Brasil, Anita a introduziu ao grupo modernista e Tarsila começou a namorar o escritor Oswald de Andrade. Formaram o grupo dos cinco: Tarsila, Anita, Oswald, e os escritores Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Agitaram culturalmente São Paulo com reuniões, festas, conferências. 

Voltou a Paris onde era o epicentro do grupo de brasileiros, Cendrars apresentou a Tarsila pintores como Picasso, o casal Delaunay, outros escritores importantes além dele, como Jean Cocteau, escultores como Brancusi, músicos como Stravinsky e Eric Satie. Ficou amiga dos brasileiros que estavam lá, como o compositor Villa Lobos, o pintor Di Cavalcanti e os mecenas Paulo Prado e Olívia Guedes Penteado.

Tarsila oferecia almoços bem brasileiros em seu ateliê, servindo feijoada e caipirinha. Além de linda, vestia-se com os melhores costureiros da época. Em um jantar em homenagem a Santos Dumont, vestiu um casaco vermelho e chamou a atenção de todos por sua beleza e elegância. Pintou o autorretrato ‘Manteau Rouge’ em 1923 depois desta ocasião.

“Encontrei em Minas as cores que adorava em criança. Ensinaram-me depois que eram feias e caipiras. Mas depois vinguei-me da opressão, passando-as para as minhas telas: o azul puríssimo, rosa violáceo, amarelo vivo, verde cantante, …’

Em janeiro de 1928, Tarsila queria dar um presente de aniversário ao seu marido, Oswald de Andrade. Pintou o ‘Abaporu’. Quando Oswald viu, ficou impressionado e disse que era o melhor quadro que Tarsila já havia feito. Chamou o amigo e escritor Raul Bopp, que também achou o quadro fantástico. Batizou-se o quadro de Abaporu, que significa homem que come carne humana, o antropófago.

tarsiladoamaral-0

 Tamara de Lempicka
A grande pintora Art Déco, Tamara de Lempicka, é conhecida por ter um talento natural. Nasceu em 1898 na Polônia como Maria Gorska. Durante a Revolução Russa em 1917 seu marido foi preso mas – com intervenção da jovem esposa – foi liberado pouco tempo depois.Após o episódio o casal transferiu-se para Paris, onde Maria adotou o nome “Tamara de Lempicka” e estudou sob a tutoria de Denis e Llhote, os mesmos professores que circulavam nos salões de Tarsila do Amaral. Com um talento natural, progrediu rapidamente e, por volta de 1923, já expunha seu trabalho em importantes galerias. Tamara desenvolveu um estilo único e ousado (definido por alguns como “cubismo suave”), que resumia os ideias do modernismo de vanguarda da Art  Decô. Rapidamente tornou-se uma das mais importantes artistas de sua geração, pintando membros da nobreza  e socialites.Tamara foi também uma notável figura boêmia, tendo conhecido nomes como Picasso e Cocteau Famosa por sua beleza física, era abertamente bissexual e seus casos com homens e mulheres causavam escândalo à época.

download (1)

«

»

Deixe-nos seu comentário!

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Captcha *